Entre fissura e continuidade
Minha obra se constrói a partir da matéria em estado de interrupção.
Meus trabalhos partem da ruptura, do corte, da quebra, da fratura, não como evento a ser ocultado, mas como condição geradora da forma. Por meio do uso de porcelana, papéis artesanais, fibras naturais, urushi e ouro, desenvolvo uma prática em que o gesto de reparo não busca restaurar uma unidade perdida, mas instaurar novas continuidades possíveis.
Nesse contexto, a fissura deixa de ser falha e passa a operar como estrutura. O ouro não corrige, evidencia; o corte não interrompe, reorganiza.
Entre fragmentos, costuras e superfícies tensionadas, investigo o vazio como intervalo ativo. Um espaço onde a matéria se reconfigura e o tempo se deposita em camadas.
Ao incorporar técnicas e saberes ancestrais, articulo tradição e contemporaneidade em um mesmo campo, produzindo obras que existem entre permanência e dissolução, entre matéria e transformação.
ARTES VISUAIS
◊ São paulo, brasil